Introdução
A revolução industrial é um
tema muito rico para se trabalhar em sala de aula, entendo que todo
conteúdo deva ser problematizado para que tenha significado para o
aluno, pois o conteúdo sozinho é mera informação e esta seu aluno
deletará depois da prova, mas no caso específico da revolução
industrial não problematizá-la é perder uma grande oportunidade de
mostrar e fazer seu aluno pensar sobre o por que de vários hábitos
que a sociedade e ele dentro desta possui.
Vejo, dentro desta temática
infinitas possibilidades por suas características
interdisciplinares, tudo dependerá dos objetivos e das correntes
pedagógicas das quais o colégio e o professor tem para embasar seu
trabalho. Abordagens sociais, econômicas, ambientais, politicas,
todas estão interligadas neste tema, mas cada corrente teórica
priorizará uma. Nossa proposta traz as questões
comportamentais e ambientais resultantes da revolução industrial. Não se sabe ao certo quando
começou, mas a Revolução Industrial com certeza mudou, se não a
vida de toda a humanidade, mudou a relação que algumas classes
sociais tinham com o trabalho, com a produção de mercadorias e com
a compra e vendo destas. Iniciada na Inglaterra, alguns autores (como
Eric Hobsbawm) vão afirmar que ela iniciou-se em 1780, mas só será
“sentida” em 1840, enquanto outros autores (como T. S. Ashton)
afirmam que começou em 1760 e durou até 1840. Sem entrar em tal
discussão, a importância da Revolução é indiscutível e, pelo
menos, boa parte dos autores que trabalham com tal assunto conseguem
encontrar motivos para a importância desse movimento.
Surgimento da Revolução
Outra grande discussão
no campo da Revolução Industrial é como e os motivos de ela ter
surgido, do local ter sido a Europa e mais especificamente a
Inglaterra. Várias causas são apontadas e sem querer entrar no
mérito de qual a mais válida ou não, mostraremos algumas a seguir. A Revolução Industrial é
fruto de várias causas e consequências acontecidas ao longo dos
anos após o fim da Idade Média. O fechamento das fronteiras que
aconteceu com o fim do Feudalismo dentro da Bretanha, diminuiu o
número de mortos por causa das pragas e com isso, a mortalidade
infantil. Logo aumentava a população, e com isso a demanda por mais
produtos em uma velocidade maior.
Além disso, a Europa em si
passava por uma revolução de pensamento, conhecida como “Revolução
Científica”, que se deu entre a Renascença e o Iluminismo. Esse
movimento modificou a visão do homem sobre as ciências, deixando-as
mais livres da filosofia, tornando-as disciplinas autônomas e tendo
fins utilitários. Ou seja, a ciência se voltava para as demandas
populares, que, no caso trabalhado, eram as condições de vida.
Dentro da Inglaterra, existia um
espírito comercial e “empresarial”, reforçado pelo livre
comércio que existia dentro na nação e a liberdade dos
comerciantes do montar corporações. Além disso, por causa do
espírito de interesse próprio e a facilidade com mudanças, o país
autorizou o uso das várias inovações tecnológicas que a
princípio, surgiam aos poucos, e criou um sistema onde o criador de
determinada tecnologia tomasse conta da produção de seu produto,
surgindo assim um pequeno monopólio deste criador, conhecido como
patente. Assim, não só as técnicas de fabricação ficavam presas
dentro do país, como incentivava os burgueses a investir em
pesquisas e aos cientistas a pesquisarem.
Além de todos esses fatores, a
Inglaterra possuía uma das melhores minas de carvão da Europa e sua
posição era estratégica: era uma ilha e seu poder naval era
enorme, em uma época onde o transporte marítimo estava em alta e
era o grande motor do comércio. Por causa desses fatores, o país
foi o único a sair das Guerras Napoleônicas sem estar com a
economia em baixa e por causa de seu grande número de colônias,
aliado ao crescimento populacional e a urbanização da nação,
tinha um grande mercado consumidor.
Existem outros fatores que podem
ser aliados ao surgimento da Revolução dentro da Inglaterra e
talvez seria o trabalho de vários capítulos discutir cada um deles
dentro deste movimento. A situação política estável, o período
de paz que houve, o surgimento da prensa, entre outros motivos, podem
ser ligados a esse movimento, mas que não foram citados aqui. No
entanto, mostramos que essa Revolução não se deu em um lugar, nem
em um período aleatório e os motivos para tal.
Consequências da Revolução
Depois de mostrado alguns
fatores do surgimento da Revolução Industrial, trabalharemos agora,
algumas consequências que esse movimento teve dentro da História,
lembrando sempre que mostrar todos é quase impossível,
considerando-se as várias pesquisas e trabalhos que existem hoje e
que sem entrar em discussões de quais são mais válidas.
Houve várias mudanças no
cotidiano das pessoas em várias áreas, desde suas casas, seu
trabalho, vestuário, alimentação, entre outros. As cidades
cresciam num ritmo maior, juntamente a sua economia e os trabalhos
conheceram uma mecanização. Vários camponeses, expropriados de
suas terras, foram trabalhar nas fábricas que surgiam, em condições
de trabalho bem ruins e com várias horas de jornada, tornando-se
assim proletário, ou operariado. A produção manufatureira
rapidamente foi decaindo, dando lugar à produção industrial,
colocando o artesanato em um lugar mais artístico. O mercado de
consumo crescia e com isso a concorrência também, o que gerava um
investimento maior em técnicas melhores, mais rápidas e mais
mecanizadas, que buscavam diminuir o preço dos produtos, com o
objetivo de aumentar as vendas e os lucros.
É nesse período que, se não
há o surgimento, vemos a consolidação do sistema capitalista.
Aqueles burgueses ricos que possuíam o capital suficiente para
investir na criação e manutenção das fábricas, contratavam
operários que só tinham a sua força de trabalho para vender, para
produzir, da maneira mais rápida e mais barata possível (o que
muitas vezes gerava um ambiente de trabalho com péssimas condições
e salários baixíssimos), que por sua vez era vendido para a
população ou exportado para outros países a preços a cima do
valor utilizado em sua produção, gerando lucros para o dono de sua
fábrica, mas não para o trabalhador. O Governo não controla mais a
economia, nem as condições de trabalho, nem os direitos do
trabalhador, nem mesmo dos desempregados. Com isso, surgem vários
movimentos de trabalhadores, como o Ludismo e o Cartismo, tentando
melhorar as condições de trabalho, os salários deles e a
estabilidade de seu emprego, cada um a sua maneira.
Uma outra consequência
importante que não é tão significante na Primeira Revolução, mas
se consolida na Segunda e na Terceira é o consumismo. O trabalhador
deixa de produzir apenas o básico para sua sobrevivência e passa a
trabalhar para ganhar dinheiro e então comprar os produtos para
continuar sua vida e a de sua família. No entanto, surgem uma
variedade de produtos que não são necessários para viver, mas são
objeto de desejo das pessoas, que (caso não sejam detentoras de um
grande capital) tem de trabalhar mais para conseguir mais dinheiro
para conseguir mais produtos. Quantos mais produtos são comprados,
mais investimentos são feitos para a criação de outros produtos e
assim por diante. Esse ciclo é percebido até hoje, no entanto com
uma velocidade bem maior que acontecia na época.
A Revolução trouxe várias
consequências para a vida que são percebidas ainda hoje, como a
grande importância urbana (em detrimento da preocupação com a vida
no campo da Idade Média), a depredação dos recursos naturais (em
detrimento de seu uso regular), o consumismo citado acima, o
surgimento de sindicatos e das greves, melhoramento da condição de
vida, da velocidade de produção, da tecnologia e tantas outras.
Objetivos:
–
Debater sobre as consequências
sociais da Revolução Industrial.
–
Entender como essas mudanças
influenciaram para a consolidação da nossa cultura: consumismo,
exploração do meio ambiente.
–
Relacionar nossos hábitos de
consumo e suas consequências com a revolução industrial
Desenvolvimento:
- Breve exposição do conteúdo
que não precisa ser necessariamente de forma expositiva que se
mostra cada vez menos eficaz (se é que algum dia foi), mas para
envolver os alunos nesta primeira parte o professor poderá dividir a
sala em grupos e pedir para que estes grupos elaborem história em
quadrinhos, texto, teatro, jornal e até vídeo (haja visto que
celulares com câmeras estão presentes em muitas escolas e são um
problema para os professores, usem a tecnologia a seu favor!) esses
são os suportes não são o principal por isso a escolha deve ser do
aluno, o professor apenas traz sugestões e não deve rechaçar
outras ideias que os alunos tenham para fazerem o seu trabalho, o
importante é que os grupos tenham autonomia para trabalharem com o
que mais lhes agrada, essa ferramenta escolhida pelo grupo deve
retratar a revolução industrial. Para tal leve seus alunos a
biblioteca, se tiverem acesso à internet em seus celulares permita
que façam suas pesquisas nele também, leve-os ao laboratório de
informática (cada um sabe sobre a realidade de sua escola,
adéque-a), se não tiver acesso a várias tecnologias, pode levar
impresso artigos que encontrar na internet, incentive seus alunos a
pesquisarem em seus livros didáticos também.
Essa é apenas uma ideia para
trazer o conteúdo, o professor também pode utilizar vídeos
educacionais que tratem do conteúdo em si e com o vídeo fazer uma
exposição dialogada.
- Na segunda parte o professor
irá historicizar e problematizar o conteúdo. Mostrar aos alunos que
o consumismo e a revolução industrial tem muita ligação (se
necessário explicar o que é o consumismo) e as consequências que o
consumo desenfreado faz com o meio ambiente, explicar como o sistema
capitalista que se consolidou na revolução industrial depende deste
consumo e por isso os valores da sociedade são alterados,
convencendo as pessoas a este estilo de vida.
Para tal discussão deixaremos alguns links de vídeos que tratam dos conceitos que escolhemos trabalhar e são muito interessantes:
Para tal discussão deixaremos alguns links de vídeos que tratam dos conceitos que escolhemos trabalhar e são muito interessantes:
Para trabalhar especificamente em
sala de aula indico o primeiro video “A HISTÓRIA DAS COISAS”,
que explicitará em linguagem muito didática algumas das questões
colocadas acima e outra mais.
Após a apresentação do vídeo,
o professor pode iniciar o debate com os produtos de marca que os
alunos possuem (mesmo quando estes são falsificações, o que até
contribui para o debate). Questionar os alunos:
- Na maior parte das vezes por que eles compram? Por necessidade ou por vontade?
- A marca do produto é importante? Por quê?
- De onde e como foram feitos os produtos de marca que compramos? (o professor pode levar produtos de marcas famosas originais e mostrar que eles não são fabricados em seus países de origem)
- O que acontece com os produtos que jogam fora?
- Se acham responsáveis pelos danos ao meio ambiente que as grandes empresas causam?
Ao final o professor pode pedir
que os alunos voltem a primeira atividade e reelaborem-na com as
novas informações que levantaram com o(s) vídeo(s) e a discussão
em sala ou poderá pedir uma produção individual disso.
Blog criado por André Luiz Marcondes Peregrinelli, Érica Prado de Carvalho Negreiros e Matheus Gomes Barbieri. Alunos do 4ª ano Matutino do Curso de Graduação em História da Universidade Estadual de Londrina.
Disciplina Tópicos de Ensino de Contemporânea.
Docente: José Miguel Arias Neto
Blog criado por André Luiz Marcondes Peregrinelli, Érica Prado de Carvalho Negreiros e Matheus Gomes Barbieri. Alunos do 4ª ano Matutino do Curso de Graduação em História da Universidade Estadual de Londrina.
Disciplina Tópicos de Ensino de Contemporânea.
Docente: José Miguel Arias Neto