segunda-feira, 16 de junho de 2014

Revolução Industrial

Introdução

A revolução industrial é um tema muito rico para se trabalhar em sala de aula, entendo que todo conteúdo deva ser problematizado para que tenha significado para o aluno, pois o conteúdo sozinho é mera informação e esta seu aluno deletará depois da prova, mas no caso específico da revolução industrial não problematizá-la é perder uma grande oportunidade de mostrar e fazer seu aluno pensar sobre o por que de vários hábitos que a sociedade e ele dentro desta possui.
Vejo, dentro desta temática infinitas possibilidades por suas características interdisciplinares, tudo dependerá dos objetivos e das correntes pedagógicas das quais o colégio e o professor tem para embasar seu trabalho. Abordagens sociais, econômicas, ambientais, politicas, todas estão interligadas neste tema, mas cada corrente teórica priorizará uma. Nossa proposta traz as questões comportamentais e ambientais resultantes da revolução industrial. Não se sabe ao certo quando começou, mas a Revolução Industrial com certeza mudou, se não a vida de toda a humanidade, mudou a relação que algumas classes sociais tinham com o trabalho, com a produção de mercadorias e com a compra e vendo destas. Iniciada na Inglaterra, alguns autores (como Eric Hobsbawm) vão afirmar que ela iniciou-se em 1780, mas só será “sentida” em 1840, enquanto outros autores (como T. S. Ashton) afirmam que começou em 1760 e durou até 1840. Sem entrar em tal discussão, a importância da Revolução é indiscutível e, pelo menos, boa parte dos autores que trabalham com tal assunto conseguem encontrar motivos para a importância desse movimento.


Surgimento da Revolução

Outra grande discussão no campo da Revolução Industrial é como e os motivos de ela ter surgido, do local ter sido a Europa e mais especificamente a Inglaterra. Várias causas são apontadas e sem querer entrar no mérito de qual a mais válida ou não, mostraremos algumas a seguir. A Revolução Industrial é fruto de várias causas e consequências acontecidas ao longo dos anos após o fim da Idade Média. O fechamento das fronteiras que aconteceu com o fim do Feudalismo dentro da Bretanha, diminuiu o número de mortos por causa das pragas e com isso, a mortalidade infantil. Logo aumentava a população, e com isso a demanda por mais produtos em uma velocidade maior.
Além disso, a Europa em si passava por uma revolução de pensamento, conhecida como “Revolução Científica”, que se deu entre a Renascença e o Iluminismo. Esse movimento modificou a visão do homem sobre as ciências, deixando-as mais livres da filosofia, tornando-as disciplinas autônomas e tendo fins utilitários. Ou seja, a ciência se voltava para as demandas populares, que, no caso trabalhado, eram as condições de vida.
Dentro da Inglaterra, existia um espírito comercial e “empresarial”, reforçado pelo livre comércio que existia dentro na nação e a liberdade dos comerciantes do montar corporações. Além disso, por causa do espírito de interesse próprio e a facilidade com mudanças, o país autorizou o uso das várias inovações tecnológicas que a princípio, surgiam aos poucos, e criou um sistema onde o criador de determinada tecnologia tomasse conta da produção de seu produto, surgindo assim um pequeno monopólio deste criador, conhecido como patente. Assim, não só as técnicas de fabricação ficavam presas dentro do país, como incentivava os burgueses a investir em pesquisas e aos cientistas a pesquisarem.
Além de todos esses fatores, a Inglaterra possuía uma das melhores minas de carvão da Europa e sua posição era estratégica: era uma ilha e seu poder naval era enorme, em uma época onde o transporte marítimo estava em alta e era o grande motor do comércio. Por causa desses fatores, o país foi o único a sair das Guerras Napoleônicas sem estar com a economia em baixa e por causa de seu grande número de colônias, aliado ao crescimento populacional e a urbanização da nação, tinha um grande mercado consumidor.
Existem outros fatores que podem ser aliados ao surgimento da Revolução dentro da Inglaterra e talvez seria o trabalho de vários capítulos discutir cada um deles dentro deste movimento. A situação política estável, o período de paz que houve, o surgimento da prensa, entre outros motivos, podem ser ligados a esse movimento, mas que não foram citados aqui. No entanto, mostramos que essa Revolução não se deu em um lugar, nem em um período aleatório e os motivos para tal.

Consequências da Revolução

Depois de mostrado alguns fatores do surgimento da Revolução Industrial, trabalharemos agora, algumas consequências que esse movimento teve dentro da História, lembrando sempre que mostrar todos é quase impossível, considerando-se as várias pesquisas e trabalhos que existem hoje e que sem entrar em discussões de quais são mais válidas.
Houve várias mudanças no cotidiano das pessoas em várias áreas, desde suas casas, seu trabalho, vestuário, alimentação, entre outros. As cidades cresciam num ritmo maior, juntamente a sua economia e os trabalhos conheceram uma mecanização. Vários camponeses, expropriados de suas terras, foram trabalhar nas fábricas que surgiam, em condições de trabalho bem ruins e com várias horas de jornada, tornando-se assim proletário, ou operariado. A produção manufatureira rapidamente foi decaindo, dando lugar à produção industrial, colocando o artesanato em um lugar mais artístico. O mercado de consumo crescia e com isso a concorrência também, o que gerava um investimento maior em técnicas melhores, mais rápidas e mais mecanizadas, que buscavam diminuir o preço dos produtos, com o objetivo de aumentar as vendas e os lucros.
É nesse período que, se não há o surgimento, vemos a consolidação do sistema capitalista. Aqueles burgueses ricos que possuíam o capital suficiente para investir na criação e manutenção das fábricas, contratavam operários que só tinham a sua força de trabalho para vender, para produzir, da maneira mais rápida e mais barata possível (o que muitas vezes gerava um ambiente de trabalho com péssimas condições e salários baixíssimos), que por sua vez era vendido para a população ou exportado para outros países a preços a cima do valor utilizado em sua produção, gerando lucros para o dono de sua fábrica, mas não para o trabalhador. O Governo não controla mais a economia, nem as condições de trabalho, nem os direitos do trabalhador, nem mesmo dos desempregados. Com isso, surgem vários movimentos de trabalhadores, como o Ludismo e o Cartismo, tentando melhorar as condições de trabalho, os salários deles e a estabilidade de seu emprego, cada um a sua maneira.
Uma outra consequência importante que não é tão significante na Primeira Revolução, mas se consolida na Segunda e na Terceira é o consumismo. O trabalhador deixa de produzir apenas o básico para sua sobrevivência e passa a trabalhar para ganhar dinheiro e então comprar os produtos para continuar sua vida e a de sua família. No entanto, surgem uma variedade de produtos que não são necessários para viver, mas são objeto de desejo das pessoas, que (caso não sejam detentoras de um grande capital) tem de trabalhar mais para conseguir mais dinheiro para conseguir mais produtos. Quantos mais produtos são comprados, mais investimentos são feitos para a criação de outros produtos e assim por diante. Esse ciclo é percebido até hoje, no entanto com uma velocidade bem maior que acontecia na época.
A Revolução trouxe várias consequências para a vida que são percebidas ainda hoje, como a grande importância urbana (em detrimento da preocupação com a vida no campo da Idade Média), a depredação dos recursos naturais (em detrimento de seu uso regular), o consumismo citado acima, o surgimento de sindicatos e das greves, melhoramento da condição de vida, da velocidade de produção, da tecnologia e tantas outras.

Objetivos:

Debater sobre as consequências sociais da Revolução Industrial.
Entender como essas mudanças influenciaram para a consolidação da nossa cultura: consumismo, exploração do meio ambiente.
Relacionar nossos hábitos de consumo e suas consequências com a revolução industrial

Desenvolvimento:

- Breve exposição do conteúdo que não precisa ser necessariamente de forma expositiva que se mostra cada vez menos eficaz (se é que algum dia foi), mas para envolver os alunos nesta primeira parte o professor poderá dividir a sala em grupos e pedir para que estes grupos elaborem história em quadrinhos, texto, teatro, jornal e até vídeo (haja visto que celulares com câmeras estão presentes em muitas escolas e são um problema para os professores, usem a tecnologia a seu favor!) esses são os suportes não são o principal por isso a escolha deve ser do aluno, o professor apenas traz sugestões e não deve rechaçar outras ideias que os alunos tenham para fazerem o seu trabalho, o importante é que os grupos tenham autonomia para trabalharem com o que mais lhes agrada, essa ferramenta escolhida pelo grupo deve retratar a revolução industrial. Para tal leve seus alunos a biblioteca, se tiverem acesso à internet em seus celulares permita que façam suas pesquisas nele também, leve-os ao laboratório de informática (cada um sabe sobre a realidade de sua escola, adéque-a), se não tiver acesso a várias tecnologias, pode levar impresso artigos que encontrar na internet, incentive seus alunos a pesquisarem em seus livros didáticos também.
Essa é apenas uma ideia para trazer o conteúdo, o professor também pode utilizar vídeos educacionais que tratem do conteúdo em si e com o vídeo fazer uma exposição dialogada.
- Na segunda parte o professor irá historicizar e problematizar o conteúdo. Mostrar aos alunos que o consumismo e a revolução industrial tem muita ligação (se necessário explicar o que é o consumismo) e as consequências que o consumo desenfreado faz com o meio ambiente, explicar como o sistema capitalista que se consolidou na revolução industrial depende deste consumo e por isso os valores da sociedade são alterados, convencendo as pessoas a este estilo de vida.
Para tal discussão deixaremos alguns links de vídeos que tratam dos conceitos que escolhemos trabalhar e são muito interessantes:
A HISTÓRIA DAS COISAS” http://www.youtube.com/watch?v=xEgPp1VGWsM
A História Secreta da Obsolescência Planejadahttp://www.youtube.com/watch?v=5tKuaOllo_0
A HISTORIA DA ÁGUA ENGARRAFADA” http://www.youtube.com/watch?v=KeKWbkL1hF4
Para trabalhar especificamente em sala de aula indico o primeiro video “A HISTÓRIA DAS COISAS”, que explicitará em linguagem muito didática algumas das questões colocadas acima e outra mais.
Após a apresentação do vídeo, o professor pode iniciar o debate com os produtos de marca que os alunos possuem (mesmo quando estes são falsificações, o que até contribui para o debate). Questionar os alunos:
  • Na maior parte das vezes por que eles compram? Por necessidade ou por vontade?
  • A marca do produto é importante? Por quê?
  • De onde e como foram feitos os produtos de marca que compramos? (o professor pode levar produtos de marcas famosas originais e mostrar que eles não são fabricados em seus países de origem)
  • O que acontece com os produtos que jogam fora?
  • Se acham responsáveis pelos danos ao meio ambiente que as grandes empresas causam?

Ao final o professor pode pedir que os alunos voltem a primeira atividade e reelaborem-na com as novas informações que levantaram com o(s) vídeo(s) e a discussão em sala ou poderá pedir uma produção individual disso.

Blog criado por André Luiz Marcondes Peregrinelli, Érica Prado de Carvalho Negreiros e Matheus Gomes Barbieri. Alunos do 4ª ano Matutino do Curso de Graduação em História da Universidade Estadual de Londrina. 
Disciplina Tópicos de Ensino de Contemporânea. 
Docente: José Miguel Arias Neto